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Eppur si ferma...Come i movimenti sociali contadini hanno fermato um mega-progetto in Mozambico

Eppur si ferma...Come i movimenti sociali contadini hanno fermato um mega-progetto in Mozambico

Esistono pochi paesi al mondo, oggi, in cui le possibilità di successo di lotte di movimenti sociali, soprattutto in ambito rurale, sono ridotte come in Mozambico. Parlo di paesi formalmente dmocratici, escludendo pertanto quelli apertamente autoritari, di cui anche in Africa continuano a esservi fulgidi esempi.

Per questo motivo ho sempre pensato che le strenue lotte contro il maggiore programma di “sviluppo agricolo” del paese, il Pro-Savana, fosse un tentativo assai generoso, ma alla fine inutile. Così non è stato. Dopo 9 anni, il governo mozambicano, insieme alla JICA (l’agenzia di cooperazione giapponese) ha ufficialmente annunciato la fine del programma.

Solo per avere un’idea, il Pro-Savana fu lanciato in pompa magna nel 2011 da parte di tre soggetti: il governo del Mozambico, allora guidato dal presidente Guebuza, la JICA, come soggetto finanziatore, e l’ABC (Agenzia Brasiliana di Cooperazione), come soggetto tecnico attuatore. Il programma intendeva mettere a produzione circa di 11 milioni di ettari (la terra arabile, in Mozambico, è calcolata in circa 36 milioni di ettari), nella fascia conosciuta come “Corridoio di Nacala”, una lunga striscia di territorio che attraversa il paese da ovest a est, concentrata nella sua parte settentrionale. Cinque province (l’equivalente delle regioni italiane) coinvolte: Niassa, Tete, Nampula, Cabo Delgado, Zambezia, circa 5 milioni di piccoli produttori toccati, una durata prevista di 30 anni. E il sogno, da parte degli esecutori, di trasformare il Corridoio di Nacala in una monocoltura di esportazione, con rendimenti elevatissimi per i padroni del vapore, e con buona pace delle famiglie contadine ridotte a salariati e in costante deficit alimentare.

Ma ciò che, sin dall’inizio, aveva caratterizzato il programma Pro-Savana è stato il suo inserimento in uno scenario globale, di vendita di terra (o concessione, visto che, in Mozambico, la terra è ufficialmente un bene pubblico) per soddisfare le esigenze di paesi, soprattutto asiatici, con enorme fame di alimenti, soprattutto commodities come riso e soia, in seguito alla cosiddetta crisi alimentare del 2007-2008. Per questo anche gli attori del Pro-Savana sono stati, sin dall’inizio, di caratura internazionale. La JICA, infatti, snaturando la sua proverbiale tradizione di una cooperazione incentrata sull’aiuto umanitario, si è buttata a capifitto nella ricerca di programmi di “sviluppo”, in grado di portare alimenti in Asia a prezzo stracciato, coinvolgendo un paese come il Brasile di Lula e di Dilma, con cui negli anni Settanta vi era stata una esperienza simile, nella regione del Cerrado, in particolare nello Stato del Mato Grosso (programma Prodecer), e con la compiacenza del Mozambico. Un paese, quello mozambicano, niente affatto vittima, come in molti casi la letteratura ama rappresentare, così come è solita fare rispetto a molti altri stati africani, ma consapevole attore che ha concordato passo per passo tutte le fasi del Pro-Savana con Giappone e Brasile, a scapito dei piccoli produttori locali e delle rispettive comunità coinvolte. Inoltre, in anni più recenti, il Brasile, specialmente a partire dal governo-Temer e, oggi, con Bolsonaro, si è distinto per la produzione in massa di soia, da esportare soprattutto verso la Cina, con buona pace della retorica anti-Pechino dell’attuale presidente carioca.

Il Pro-Savana è stato fermato grazie a varie ragioni: uno scenario politico internazionale in parte mutato, ma anche motivi interni, da ricercare in un conflitto sociale esteso e sempre più consapevole che, grazie a organizzazioni come Adecru, Justiça Ambiental, Unione Nazionale dei Contadini, alcune parti della chiesa cattolica locale e parecchie altre associazioni, ha di fatto indotto i protagonisti di questo gigantesco programma a fermare il motore. Un elemento di grande rilievo, che è stato un prodotto involontario del Pro-Savana, è aver contribuito a rafforzare reti internazionali Africa-America Latina-Asia di popoli e organizzazioni della società civile impegnati su questo caldo fronte della difesa della terra. La Via Campesina, per esempio, è diventato un soggetto fondamentale in Mozambico, con continui scambi di informazioni e di formazioni, il delinearsi di strategie comuni, nonché le costanti pressioni verso i rispettivi governi (compreso quello giapponese) per cessare il suddetto programma.

Il “battesimo di fuoco” (almeno per le organizzazioni mozambicane) rappresentato dal Pro-Savana ha quindi sortito effetti insperati, che vanno ben al di là dei confini mozambicani. Il segnale che emerge da questa vicenda è che può esservi un altro modo di pensare e di agire in termini globali, lontano sia dai sovranismi di autarchica memoria che dai processi di selvaggia apertura dei mercati a cui il capitalismo internazionale sta ormai mirando da tempo; e che i protagonisti di questa vittoria sono tutti membri attivi di una società civile sempre più lontana sia dagli Stati che dai partiti, anche quelli della sinistra tradizionale.

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UMA CRISE POLÍTICA SEM FIM: A GUINÉ-BISSAU

UMA CRISE POLÍTICA SEM FIM: A GUINÉ-BISSAU

Há mais de duas décadas, concretamente 22 anos, a Guiné-Bissau vive numa situação de crise política e institucional constante, que contribuiu a fazer do país um dos Etados mais pobres do mundo.

Em 1998, o país se envolveu num conflito político-militar, resumido num duelo entre o presidente João Bernardo Vieira com o então Chefe de Estado Maior, general de forças armadas, Ansumane Mané, que foi assassinado em 2001 em uma circunstância nunca esclarecida pelas autoridades judiciais. O conflito acima citado afetou negativamente o país em diferentes esferas: política, económica, social, com consequências ainda perceptíveis até hoje.

O sistema semipresidencialista que vigora no país apresenta grandes fragilidades, havendo enfrentado muitos conflitos entre o Presidente e o Governo; na última década isso resultou no derrube do executivo, tal como aconteceu em 2006, quando o Presidente João Bernardo Vieira derrubou o governo de Carlos Gomes Júnior. Entretanto, a fragilidade do sistema político e democrático guineense não está só no semipresidencialismo, mas sim no próprio comportamento antidemocrático da classe política que uniu-se aos militares para chegar ao poder, fragilizando assim a democracia e as instituições democráticas do Estado.

A conjuntura da crise política e institucional continuou, com ações muito fortes, impulsionando assim a ruptura institucional no país. Desde 07 de junho de 1998, período em que o país vivenciou um conflito político e militar, a Guiné-Bissau desconhece a estabilidade política. Portanto, a partir deste momento, nenhum governo eleito terminou seu mandato de quatro anos até aos dias atuais.

Em 12 de abril de 2012 o Primeiro Ministro Carlos Gomes Júnior sofreu um novo golpe, cenário que perdurou até o final do primeiro semestre de 2014. Esses golpes que sempre envolveram políticos e militares resultaram em sanções internacionais contra o país e os golpistas. Como consequência, os governos resultantes de golpe tiveram dificuldades de pagar salário aos funcionários públicos, aumentando a pobreza e outros problemas sociais.

O problema da instabilidade política revela um elemento peculiar dos políticos guineenses, a ausência de um comprometimento político e ideológico, que norteou a visão do líder da independência Amílcar Cabral, bem como todo o processo da luta pela independência da Guiné-Bissau.

Recentemente, a Guiné-Bissau voltou a protagonizar uma série de crises políticas e institucionais. Em 2019 foram realizadas eleições presidenciais (para eleger o presidente) e legislativas (para eleger o governo). Em março de 2019 o PAIGC ganhou as eleições legislativas. Neste mesmo ano foi realizada a eleição presidencial, cujo primeiro turno aconteceu em novembro de 2019. Este pleito resultou no segundo turno da eleição disputado pelos candidatos Domingos Simões Pereira (PAIGC) e Umaro Sissoco Embaló (MADEM – G15), que foi realizado no final de dezembro do mesmo ano.

A eleição presidencial foi coberta de uma série de denúncias de fraude em que o Candidato do MADEM – G15 foi acusado pelo PAIGC de fraudar eleição.

Pom, a primeira posse simbólica do Umaro Sissoco Embaló como Presidente da República ocorreu no dia 27 de fevereiro de 2020, antes da decisão do Supremo Tribunal de Justiça sobre o processo movido pelo PAIGC contra o candidato do MADEM – G15, referente a acusação de fraude na eleição. A posse foi feita pelo ex-Presidente da República, José Mario Vaz, com a presença de alguns oficiais militares, no entanto, os Presidentes do Supremo Tribunal de Justiça e da Assembleia Nacional Popular não compareceram na cerimónia. Diante deste cenário, Umaro Sissoco Embaló, após a sua posse emitiu o Decreto presidencial número 01/2020, de 28 de fevereiro, que demitiu o governo de PAIGC eleito nas eleições legislativas de março do mesmo ano, liderado por Aristides Gomes. Em seguida, nomeou através do Decreto presidencial número 02/2020, de 28 de fevereiro o seu aliado político Nuno Gomes Nabiam do partido APU – PDG para o cargo de Primeiro Ministro.

Em seguida os militares entraram em cena quando mandaram fechar todas as instituições do governo e o Supremo Tribunal de Justiça, configurando assim um golpe de Estado. As únicas autoridades permitidas para ocupar as instituições são os membros do governo liderado por Nuno Gomes Nabiam.

Agora, o que está se observando no país em 2020 é uma onda de sequestros contra políticos, adversários e críticos do governo inconstitucional que controla o país neste momento.

Os fatos debatidos neste texto nos permitem observar que não existe uma democracia efetiva na Guiné-Bissau, visto que o funcionamento das instituições é interrompido constantemente mediante golpes de estado, nenhum governo havendo terminado o seu mandato desde que o país começou a organizar eleições legislativas livres. Esta análise nos leva a colocar a necessidade urgente da realização de uma reforma profunda no setor de defesa e segurança, sem a qual dificilmente o país sairá desta situação de constante instabilidade política.

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UNA CRISI POLITICA INFINITA: LA GUINEA-BISSAU

UNA CRISI POLITICA INFINITA: LA GUINEA-BISSAU

Da più di due decenni, per l´esattezza da 22 anni, la Guinea-Bissau sta vivendo una situazione di crisi politica e istituzionale costante, che ha contributo a fare di questo paese uno degli Stati più poveri al mondo.

Nel 1998, il paese fu coinvolto in un conflitto politico-militare, ridotto a un duello fra il presidente João Bernardo Vieira con l´allora Capo di Stato Maggiore, generale delle forze armate, Ansumane Mané, poi assassinato nel 2001 in circonstanze mai chiarite da parte delle autorità giudiziarie. Tale conflitto sconvolse il paese in diverse sfere: politica, economica, sociale, con conseguenze visibili ancora oggi.

Il sistema semi-presideziale attuale presenta grandi fragilità, avendo originato molti conflitti fra il Presidente e il Governo; nell´ultimo decennio ciò è risultato nella caduta dell´esecutivo, come è avvenuto nel 2006, quando il Presidente João Bernardo Vieira dimise il governo di Carlos Gomes Júnior. Tuttavia, la fragilità del sistema politico e democratico guineano non deve essere ricercata soltanto nel semi-presidezialismo, ma anche nel comportamento antidemocratico della classe politica che si è unita ai militari per arrivare al potere, indebolendo così la democrazia e le istituzioni democratiche dello Stato.

La congiuntura della crisi politica e istituzionale è proseguita, con azioni molto forti, favorendo così la rottura istituzionale nel paese. Dal 7 di giugno del 1998, quando il paese visse il suddetto conflitto politico e militare, la Guinea-Bissau non conosce stabilità politica. A partire da questo momento, nessun governo eletto ha terminato il mandato di quattro anni.

Il 12 aprile del 2012, il Primo Ministro Carlos Gomes Júnior ha dovuto subire um nuovo golpe, scenario che è durato fino al termine del primo semestre del 2014. Questi colpi di Stato, che da sempre hanno coinvolto politici e militari, sfociano in sanzioni internazionali contro il paese e i golpisti. Come conseguenza, i governi risultanti dal golpe mostrano difficoltà nel pagare salari ai funzionari pubblici, aumentando la povertà e altri problemi sociali.

L´instabilità rivela un elemento peculiare dei politici guineani, l´assenza di un impegno politico e ideologico che aveva caratterizzato la visione del leader dell´ indipendenza, Amílcar Cabral, così come tutto il processo di lotta per l´independenza della Guinea-Bissau.

Recentemente, la Guinea-Bissau ha ancora uma volta mostrato una serie di crisi politiche e istituzionali. Nel 2019 furono realizzate elezioni presidenziali (per eleggere il presidente) e legislative (per eleggere il governo). A marzo 2019 il PAIGC ha vinto le elezioni legislative. In questo stesso anno si svolsero le elezioni presidenziali, il cui primo turno è stato realizzato a novembre 2019. La votazione ha reso necessario un secondo turno, disputato fra i candidati Domingos Simões Pereira (PAIGC) e Umaro Sissoco Embaló (MADEM – G15), realizzato a fine dicembre dello stesso anno.

L´elezione presidenziale fu caratterizzata da una serie di denunce di brogli in cui il candidato del MADEM – G15 fu accusato dal PAIGC di truccare l´elezione.

Tuttavia, la prima investitura simbolica di Umaro Sissoco Embaló come Presidente della Repubblica venne realizzata il 27 febbraio del 2020, prima della decisione del Tribunale Supremo della Giustizia sul processo mosso dal PAIGC contro il candidato del MADEM – G15, in riferimento all´accusa di broglio elettorale. L´atto fu celebrato dall´ex-Presidente della Repubblica, José Mario Vaz, con la presenza di alcuni ufficiali militari, mentre i Presidenti del Tribunale Supremo della Giustizia e dell´Assemblea Nazionale Popolare non si sono fatti presenti alla cerimonia. Dinanzi a questo scenario, Umaro Sissoco Embaló, dopo la sua investitura, ha emesso un Decreto presidenziale numero 01/2020, del 28 di febbraio, in cui dimetteva il governo del PAIGC eletto nelle elezioni legislative di marzo dello stesso anno, presieduto da Aristides Gomes. Subito dopo, ha nominato, attraveso il Decreto presidenziale numero 02/2020, del 28 di febbraio il suo alleato politico Nuno Gomes Nabiam del partito APU – PDG per l´incarico di Primo Ministro.

In seguito, i militari entrarono in scena, chiudendo tutte le istituzioni del governo, compreso il Tribunale Supremo della Giustizia, configurando così un colpo di Stato. Le uniche autorità a cui fu consentito di occupare le istituzioni sono stati i membri del governo presieduto da Nuno Gomes Nabiam.

Adesso, ciò che si sta osservando nel paese nel 2020 è una onda di sequestri contro politici, avversari e critici del governo inconstituzionale che controlla il paese in questo momento.

I fatti presentati in questo testo ci permettono di osservare che non esiste una democrazia effettiva in Guinea-Bissau, visto che il funzionamento delle istituzioni è interrotto costantemente mediante colpi di stato, e che nesun governo ha terminato il mandato da quando il paese ha cominciato a organizzare elezioni legislative libere. Questa analisi ci porta a collocare la necessità urgente della realizzazione di una riforma profonda nel settore della difesa e sicurezza, senza la quale difficilmente il paese uscirà da questa situazione di costante instabilità politica.

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Ultima modifica il Sabato, 27 Giugno 2020 22:59
Ritos de iniciação entre os Amakhuwa do Norte de Moçambique e respeito dos direitos humanos

Ritos de iniciação entre os Amakhuwa do Norte de Moçambique e respeito dos direitos humanos

Como qualquer outro povo, os amakhuwa do Norte de Moçambique, de tradição matrilinear, procuram dar uma explicação plausível acerca da origem e evolução do universo, dando uma interpretação de tipo religioso à génese das coisas. Tais coisas emanaram dos Namúli, uma cadeia montanhosa que se estende desde o norte da província da Zambézia, no distrito de Gurué até à província de Nampula, no distrito de Ribaué. Conta a lenda que foi nos montes Namúli, onde uma divindade criou todas as coisas usando raízes do imbondeiro (baobá), árvore frondosa e de presença dominadora. Dos Namúli foram criados os primeiros humanos, hoje considerados como makholo (pais primordiais e/ou antepassados) dos mahimo (clãs) existente entre os amakhuwa.

O que foi emanado pelos Namuli deve estar em harmonia. É esta a filosofia de base dos Amakhuwa, embora hoje as influências da modernidade tenham desviado deste princípio fundamental. Em paralelo ao mito fundador, existe uma lista considerável de ritos celebrados ao longo da vida dos amakhuwa. Todos eles visam a inserção da pessoa na sua comunidade de pertença, garantindo assim aquela coesão e harmonia social que representam o marco identitário mais característico da cultura dos amakhuwa. O principal desses rituais é representado pelos ritos de iniciação, que marcam a transição da idade infantil à adulta, e são celebrados quer na vertente feminina, quer masculina. Neste texto iremos abordar apenas os primeiros, por sinal os que mais discussões e críticas têm levantado por parte das organizações, nacionais e internacionais, que lutam em prol dos direitos das mulheres e, no geral, dos direitos humanos individuais.

O rito de iniciação feminino (Winela emwali) se inscreve numa ótica de continuidade dos ensinamentos da cultura e do bom comportamento, cuja primeira transmissão é feita pela mãe, diariamente. O rito, portanto, vai insistir num pano de fundo de uma pessoa jovem, mas já sensibilizada e preparada para receber outros ensinamentos, desta vez por obra de mulheres externas à mãe e que lhe irão introduzir na vida adulta. Para que uma rapariga seja submetida a Wineliwa emwali (ritos de iniciação feminino) é necessário e indispensável que ela tenha a wona mweri (menarca). Enquanto o dia das cerimónias não chega, os familiares vão criando todas as condições necessárias, desde comida, bebidas, roupas e construção de cabanas onde irão decorrer as cerimónias.

Depois de uma refeição comunitária, as meninas, ao longo da tarde, são levadas para um espaço reservado e relativamente isolado, que pode ser um lugar com casas abandonadas ou em cabanas improvisadas. Os ritos femininos duram duas noites e três dias. Os aconselhamentos só acontecem ao longo da noite, enquanto durante o dia as pessoas dormem. Uma tal opção é devida ao fato de os ensinamentos transmitidos serem considerados sagrados, portanto precisando de calma, tranquilidade e muito silêncio e concentração, funciona como forma de respeito pela herança herdada pelos antepassados. A transmissão dos conhecimentos durante os rituais é feita por meio da música, ou seja, cantada e acompanhada por dança, dividindo o grupo em dois coros. Os ensinamentos ligados ao rito consistem em explicar o que é a menstruação, como cuidar da saúde, qual o comportamento perante os homens, como se vestir, como cuidar do lar, com noções de educação da sexualidade feminina, ou seja, o conhecimento completo do corpo de uma mulher, tais como a proibição do incesto e do adultério no geral. Nos ritos que sofreram a influência da religião cristã foram abolidas algumas partes consideradas contrárias aos ensinamentos desta fé, como por exemplo uso de palavrões e objetos com formas de órgãos genitais masculinos. Nos ritos celebrados consoante a tradição, as meninas são pintadas com farinha, vestidas de farrapos, deixando os corpos seminus, com acompanhamento de cantos e palavras insultuosos, que desempenham a função de tornar as meninas humildes. O mesmo acontece com os ritos masculinos.

Na cultura dos amakhuwa o termo dos ritos de iniciação não significa necessariamente iniciar a procurar marido. No geral, a vida das meninas continua normalmente, e só as que decidem – devido a razões alheias aos ritos em si, como as más condições económicas, ou a conflitos com os pais – entrar no lar é que podem fazer isso. O rito de iniciação, portanto, não empurra a menina para o lar, mas lhe entrega a condição de mulher adulta e madura.

Por outra, dados demonstram que na região norte de Moçambique a questão dos casamentos prematuros e indesejados é que é mais difusa e prejudicial para a vida das meninas a nível nacional. Entretanto, esta situação não pode ser atribuída automaticamente aos ritos de iniciação de forma que deveriam ser investigadas as condições socioeconómicas em que a maioria das famílias, no Norte do país, se depara, vendo como única saída para diminuir o peso dos gastos a alocação da filha recém-iniciada num novo lar.

Fora as violações gritantes dos direitos da rapariga que ainda, em algumas circunstâncias (cada vez mais raras) se manifestam ao longo dos ritos de iniciação, que entretanto nunca, na variável Makhuwa, prevêm práticas como a infibulação, a questão que deve ser colocada, em termos de direitos humanos, é a seguinte: será que tais direitos são apenas de tipo individual, ou é necessário considerar também a perspectiva coletiva, segundo afirma a própria Carta de Banjul de 1981? Preservar a identidade de um povo e de uma cultura constitui um direito fundamental, que passa também mediante os ritos de iniciação. São estes, em muitas culturas e organizações humanas (tais como a mafia u a maçonaria) que assinalam e reforçam a identidade local de um certo grupo, o que também representa um direito humano fundamental, que deve andar de acordo, sem chocar, com a tutela dos direitos humanos de cada pessoa, a partir dos das jovens mulheres africanas.

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Ultima modifica il Domenica, 21 Giugno 2020 23:25
Riti di iniziazione fra gli Amakhuwa del Nord del Mozambico e rispetto dei diritti umani

Riti di iniziazione fra gli Amakhuwa del Nord del Mozambico e rispetto dei diritti umani

Come qualsiasi altro popolo, gli amakhuwa del Nord del Mozambico, di tradizione matrilineare, cercano di dare una spiegazione plausibile all’origine ed evoluzione dell’universo, dando una interpretazione di tipo religioso alla genesi delle cose. Tutto trova la sua emanazione dalla catena montuosa dei Namúli, che si estende dal nord della provincia della Zambézia, presso il distretto di Gurué, fino alla provincia di Nampula, nel distretto di Ribaué. La leggenda narra che fu dai monti Namúli dove una divinità creò tutte le cose usando radici di baobab, albero frondoso e molto presente su quei rilievi. Dai Namúli furono creati i primi esseri umani, oggi considerati come makholo (padri primordiali e/o antenati) dei mahimo (clan) existenti fra gli amakhuwa.

Ciò che fu emanato dai Namuli deve stare in armonia. È questa la filosofia di base degli Amakhuwa, anche se oggi le influenze della modernità hanno fatto deviare da questo principio fondamentale. In parallelo al mito fondatore, esiste una lunga lista di riti celebrati nel corso della vita degli amakhuwa. Tutti questi hanno l´obiettivo dell’inserimento della persona nella propria comunità di appartenenza, garantendo così quella coesione e armonia sociale che rappresentano l’elemento identitario più caratteristico della cultura degli amakhuwa. Il principale di questi rituali è rappresentato dai riti di iniziazione, che segnano la transizine dall’età infantile a quella adulta, e sono celebrati sia nella vertente femminile che in quella maschile. In questo breve testo presenteremo esclusivamente i primi, quelli che maggiori discussioni e critiche hanno sollevato da parte delle organizzazioni, nazionali e internazionali, che lottano per i diritti delle donne e, in generale, dei diritti umani individuali.

Il rito di iniziazione femminile (Winela emwali) si inscrive in un’ ottica di continuità degli insegnamenti della cultura e del buon comportamento, la cui prima transmissione è fatta dalla madre, quotidianamente. Il rito, quindi, insiste su una persona giovane, ma già sensibilizzata e preparata per ricevere altri insegnamenti, questa volta da parte di signore esterne alla madre e che la introdurranno alla vita adulta. Affinché la giovane venga sottoposta ai Wineliwa emwali (riti di iniziazione femminili) è necessario e indispensabile che questa abbia già avuto la prima mestruazione (wona mweri). Fino a quando il giorno delle cerimonie non arriverà, i familiari devono creare tutte le condizioni necessarie, dal cibo alle bevande, dalle vesti alla costruzione delle capanne dove le cermonie saranno realizzate.

Dopo un pasto comunitario, le ragazze, nel pomeriggio, vengono portate in uno spazio riservato e relativamente isolato, che può essere un luogo con case abbandonate o con capanne improvvisate. I riti femminili durano due notti e tre giorni. La fase dei consigli avviene di notte, mentre di giorno le persone dormono. Tale scelta è dovuta al fatto che gli insegnamenti trasmessi sono considerati sacri, pertanto necessitano di calma, tranquillità e molto silenzio e concentrazione, funzionando come forma di rispetto per l’eredità derivante dagli antenati. La trasmissione delle conoscenze durante i rituali è svolta per mezzo della musica, ovvero cantata e accompagnata dalla danza, dividendo il gruppo in due cori. Gli insegnamenti legati al rito consistono nello spiegare che cosa sia la mestruazione, come prendersi cura della propria salute, quale il comportamento dinanzi agli uomini, come vestirsi, come curare la casa, con nozioni di educazione della sessualità femminile, ovvero la conoscenza completa del corpo della donna, come la proibizione dell’incesto e dell’adulterio in generale. Nei riti che hanno subito l’influenza della religione cristiana sono state abolite alcune parti considerate contrarie agli insegnamenti di questa fede, come ad esempio l’uso di offese e di oggetti peniformi. Nei riti celebrati secondo la tradizione, le ragazze sono dipinte con farina, vestite di stracci, lasciando i corpi seminudi, con accompagnamento di canti e insulti, che servono per rendere umili le ragazze. Lo stesso accade nei riti maschili.

Nella cultura degli amakhuwa il termine dei riti di iniziazione non significa necessariamente iniziare a cercare marito. In generale, la vita delle ragazze continua normalmente, e soltanto coloro che decidono – per ragioni estranee ai riti, come le cattive condizioni economiche, o conflitti con i genitori – di farsi subito una famiglia propria possono farlo, poiché sono passate dalla cerimonia di iniziazione. Il rito in sé, perciò, non spinge la giovane verso il matrimonio, ma le garantisce la condizione di donna adulta e matura.

D’altra parte, i dati dimostrano che nella regione nord del Mozambico la questione dei matrimoni prematuri e indesiderati è la più diffusa e dannosa per la vita delle giovani a livello nazionale. Tuttavia, questa situazione non può essere attribuita automaticamente ai riti di iniziazione, cosicché dovrebbero essere ricercate le condizioni socio-economiche in cui la maggioranza delle famiglie, nel Nord del paese, si trova, vedendo come unica via di uscita per diminuire il peso dei costi la allocazione della figlia appena iniziata in una nuova famiglia.

Con l’eccezione di gravi violazioni dei diritti della giovane donna che ancora, in alcune circostanze (sempre più rare) si manifestano durante i riti di iniziazione, che comunque, nella variante Makhuwa, non prevedono mai pratiche come l’infibulazione, la questione che deve essere posta, in termini di diritti umani, è la seguente: tali diritti sono esclusivamente di tipo individuale, o è necessario considerare anche la prospettiva collettiva, secondo quanto sostiene la stessa Carta di Banjul del 1981? Preservare l’identità di un popolo e di una cultura rappresenta un diritto fondamentale, che passa anche attraverso i riti di iniziazione. Sono questi, in molte culture o organizzazioni umane (si pensi, per esempio, alla mafia o alla massoneria) che segnalano e rafforzano l’identità locale di un certo gruppo, fatto anche questo che rappresenta un diritto umano fondamentale, che deve procedere d’accordo con la tutela dei diritti umani di ciascuna persona, a partire da quelli delle giovani donne africane.

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Ultima modifica il Domenica, 21 Giugno 2020 23:21
La regressione razzista

La regressione razzista

La storia dell´uomo è piena di episodi di razzismo, sin dai suoi primordi. Tuttavia, l´avvento del capitalismo su scala globale ha mondializzato e istituzionalizzato tale fenomeni, a partire dalla lunga stagione del razzismo e dello schiavismo.

Ogni tanto ce ne ricordiamo, ma senza capirne a fondo l´essenza. Il caso-Floyd, infatti, è soltanto la punta dell´iceberg di un ritorno regressivo di forme di razzismo che mai erano scomparse, ma che si erano molto attenuate con la apparente vittoria del pensiero e delle politiche liberali, le quali, anche se di ispirazione non progressista, avevano puntato tutto sul criterio della “meritocrazia”.

Tale criterio non aveva certo attenuato le differenziazioni sociali fra gruppi etnici, tanto che il principale criterio per misurare l´effettiva inclusione di comunità sfavorite – la mobilitâ sociale – non ha mai fatto segnare grandi progressi. Gli Stati Uniti, considerato il paese delle opportunità per tutti, aveva, nel 1968, un indice di mobilità sociale del 16,8%. Nel 2011 tale indice è rimasto quasi invariato, attestandosi al 22,3%. Ciò significa che un bambino nato in una famiglia povera e carente ha ottime probabilitâ di ripercorrere l´esistenza dei suoi familiari, non uscendo mai da tale condizione.

In Brasile la situazione è molto simile, anche se, qui, un accenno di cambiamento si è potuto registrare, soprattutto negli anni di Lula e dell´implementazione di politiche sociali che tendevano a favorire la popolazione di colore, con tutte le sue sfacettature, in larga parte concentrata nella parte più povera del paese, il Nord-Est. Nel 2017, quindi prima dell´avvento di Bolsonaro, il coefficiente di Gini in questo paese (coefficiente che misura la differenza ricchi-poveri) era però ancora di 53,3, attestandosi al settimo posto a livello mondiale, soltanto dopo sei paesi africani, capeggiati dall´Africa del Sud. In Brasile, l´1% più ricco della popolazione concentra quasi il 30% della ricchezza nazionale, molto simile, in questo, al Qatar, lo stato al mondo con la concentrazione più elevata di ricchezza. La struttura schiavista che da sempre ha caratterizzato il Brasile non si è quindi dissolta, ma continua a persistere, nonostante la costituzione e leggi di Affirmative action che però non stanno intaccando i rapporti socioeconomici strutturali di tipo storico-schiavistico.

Sia nel caso del Brasile che degli Stati Uniti esiste una sovrapposizione piuttosto nitida fra povertà e appartenenza a gruppi etnici sfavoriti, in Brasile più degli Stati Uniti associato anche all´appartenenza al genere femminile.

Sono stati proprio questi due paesi, ultimamente, ad assurgere alla ribalta delle cronache con due casi di razzismo che hanno portato alla morte di due persone di colore. Il caso di George Floyd a Minneapolis è piuttosto noto. Quel che magari vale la pena sottolineare è la futilità del motivo che ha portato a questa tragica fine: una banconota da venti dollari con cui Floyd avrebbe pagato le sue spese in un negozio in cui si era recato, il cui proprietario aveva scambiato per denaro falso. L´intervento della polizia ha poi scatenato tutto ciò che si conosce, dalla morte del malcapitato Floyd alle rivolte della comunità afroamericana (e non solo), per esigere quei diritti reali (e non formali) che a tutti dovrebbero essere garantiti.

In Brasile, nella città di Recife (Stato di Pernambuco, il cuore del Nord-Est del paese) pochi giorni fa si è consumato un infanticidio involontario ma connotato da evidenti venature razziste. Miguel Otávio Santana da Silva, di 5 anni, era il figlio dell´empregada (la colf) che, tutti i giorni, nonostante l´epidemia di Coronavirus che sta facendo del Brasile il secondo paese al mondo per numero di casi e di morti dopo gli Stati Uniti, si recava al lavoro presso la casa della famiglia del sindaco del comune di Tamandaré (nei dintorni di Recife). Una importante osservazione, tanto per comprendere il contesto di assoluta promiscuità legislativa che si vive ancora oggi in questo paese, è che la madre di Miguel, Mirtes Renata, era stata assunta come dipendente del suddetto comune, e non direttamente dalla famiglia del sindaco in cui effettivamente lavorava...

Mirtes fu incaricata di portare il cane della sua “padrona”, Sari Gaspar Côrte Real, a spasso per Recife, mentre costei avrebbe dovuto prendersi in carico il piccolo Miguel all´uscita del nono piano dall´ascensore – dove la famiglia del sindaco abita -, per portarlo a casa. Cosa che la signora non ha fatto, provocando indirettamente la caduta dal nono piano di Miguel. Una disattenzione che probabilmente costerà molto caro a Sari Gaspar, colorata da indifferenza e disprezzo verso il figlio di una persona che tutti i giorni andava casa sua, ma di cui lei non ha avuto il tempo né la voglia di occuparsi. Neanche per quei dieci minuti in cui la madre del bambino stava fuori col cane della padrona.

Ai funerali del piccolo Miguel hanno assistito 4000 persone, resuscitando i fantasmi di un processo storico di esclusione mai sopito, e colorato da tinte razziste e schiaviste.

A nessuno sfugge l´appartenenza politica dei due presidenti di Stati Uniti e Brasile. Sarebbe riduttivo incolpare loro rispetto a situazioni stratificate e in larga parte “immobili”. Tuttavia, è altrettanto chiaro che la forma di capitalismo che questi due presidenti stanno portando avanti racchiude in sé anche una importante componente razzista, figlia di una ristrutturazione economica che ha elementi di forte continuità con le origini del capitalismo in questi due paesi, e non solo. È quanto Walter Johnson, nel suo recente libro The Broken Heart of America: St. Louis and the Violent History of the United States, sostiene, parlando di “capitalismo razzista”.

Partendo da questa interessante ipotesi, quella cioè di un capitalismo che ha di nuovo bisogno, urgente bisogno, di nuovi schiavi da prendere nelle aree più povere della popolazione mondiale, sarà forse possibile comprendere più a fondo la resipiscenza di movimenti e partiti di estrema destra che spingono sempre più verso soluzioni segregazioniste a autoritarie. Se in molti paesi paesi africani, Africa del Sud in primo luogo (dove, non a caso le forme di razzismo e xenofobia dei neri sudafricani verso i neri dello Zimbabwe, del Mozambico, della Somalia che lavorano nelle ricche miniere del Transvaal sono all´ordine del giorno), in parte degli Stati Uniti e dell´America Latina queste nuove forme di schiavismo e razzismo capitalista si concentrano ancora nelle grandi piantagioni (non molto differenti dalle raccolte di pomodoro nel Sud Italia), in parallelo, in tutto il mondo soprattutto “sviluppato”, altre forme di moderna schiavitù sono necessarie a questo capitalismo: call-centers, riders, precari in generale non rappresentano che l´altra faccia di questo “capitalismo razzista” in cui la discriminazione verso le persone di colore si accompagna con quella di donne, giovani e “diversi”, anch´essi necessari per garantire l´accumulazione di ricchezza in sempre più poche mani.

Il tentativo di instaurare regimi sempre più autoritari in tutto il mondo (la regressione democratica di molti paesi africani e dell´Est Europa è significativa da questo punto di vista) non è che la manifestazione politica di rapporti economici che devono garantire quel modello di sviluppo e quel modello di relazioni sociali. Con buona pace di tutti i Floyd e i Miguel di questo mondo.

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Ultima modifica il Martedì, 09 Giugno 2020 15:41
Quel che il Papa ha detto e che in molti non hanno potuto capire (a proposito di Cabo Delgado)

Quel che il Papa ha detto e che in molti non hanno potuto capire (a proposito di Cabo Delgado)

Nella benedizione pasquale urbi et orbi, Papa Francesco ha parlato, fra gli altri scenari di violenza e di guerra nel mondo, di Cabo Delgado, provincia all’estremo Nord del Mozambico, divisa dalla Tanzania dal fiume Rovuma. Nel mondo lusofono – Portogallo compreso – i mezzi di informazione hanno immediatamente colto l’occasione per una sia pur tardiva resipiscenza, cercando di spiegare ciò che sta succedendo, dall’ottobre del 2017, in quella remota provincia settentrionale del Mozambico. Resipiscenza che non si è verificata in Italia, dove davvero in pochi si sono dati la briga di cercare di capire che cosa il Santo Padre avesse in animo di comunicare con quell’accenno alle violenze di Cabo Delgado.

Il Mozambico da qualche anno è stato oggetto di investimenti di enorme portata nel settore del gas. Tali investimenti sono concentrati presso la provincia di Cabo Delgado, che è una provincia “mitica”, per la storia nazionale, dove è iniziata la lotta di liberazione contro l’ex-colono portoghese da parte di una etnia da sempre guerriera, i Makonde. Dal 2014, i Makonde esprimono, mediante Filipe Nyusi, il presidente della repubblica, da sempre appannaggio di uomini del Sud. L’investimento complessivo nel gas si aggira intorno ai 60 miliardi di dollari, e l’ENI è stata la prima società straniera a intuire le potenzialità dell’area, intorno al 2013-2014, ottenendo la concessione per l’area 4, off-shore, che adesso vede un consorzio formato ancora da ENI e dall’americana ExxonMobil, più altri soggettti minori, per un investimento di circa 30 miliardi di dollari, la metà dell’intero investimento a Cabo Delgado (altre concessioni sono state date ad Anadarko, Total, ecc.).

In questo quadro di grandi prospettive, però, per la terza volta il consorzio ENI-Exxon ha di recente rinviato la decisione finale di investimento, per tre motivi: uno, macroeconomico, il crollo del prezzo del petrolio e del gas; un secondo che ha a che fare col Coronavirus: nel campus di Afungi, dove sono concentrati molti dei lavoratori della Total, diversi casi del nuovo virus sono stati scoperti, mettendo a repentaglio la vita degli stessi, visto le strutture sanitarie praticamente inesistenti; infine, uno specifico della regione, i continui attacchi terroristi che si susseguono dall’ottobre 2017 proprio in quella zona, in particolare fra Palma e Mocimboa da Praia.

È di questi attacchi che il Papa ha voluto parlare, dopo che aveva ricevuto una lettera proveniente da Don Lisboa, il vescovo brasiliano di Pemba, capitale di Cabo Delgado, il quale esprimeva tutte le preoccupazioni per le continue violenze perpetrate contro popolazioni civili e militari da parte di non meglio identificati gruppi sedicenti islamici, che ultimamente sembrano in collegamento col Daesh, che ha rivendicato gli ultimi attacchi.

Un migliaio di morti, decine di migliaia di rifugiati presso la città di Pemba o in zone ritenute più sicure, case e sedi di istituzioni pubbliche e private bruciate o vandalizzate, e ultimamente pure chiese e missioni cattoliche importanti, come quella di Nangololo, devastate, atrocità apparantemente gratuite di corpi straziati, con membra e teste amputate e macabramente esposte come trofei da parte degli estremisti.

Cui prodest, ci sarebbe da chiedersi...E como si è giunti a tutto questo, in un paese, come il Mozambico, che ha sì sempre avuto conflitti, ma mai di tipo religioso? E lo Stato mozambicano che sta facendo per evitare che questo cataclisma continui?

Come si è giunti a questo è piuttosto facile da spiegare, nella complessità della situazione. Cabo Delgado, la mitica regione della lotta armata, da tempo è stata abbandonata dai suoi grandi generali e politici Makonde, i quali si sono ormai stabiliti a Maputo, capitale del paese, aprendo una società dopo l’altra per sfruttare le grandi risorse della regione, pietre preziose, oro e rubini, oltre al gas. Il generale Pachinuapa, per esempio, ha aperto una società col figlio dell’ex-presidente Samora Machel, consorziandosi poi con una impresa inglese, la Gemsfield, per lo sfruttamento del maggiore giacimento di rubini al mondo, a Montepuez, dando origine alla Montepuez Ruby Mining. La società ha accettato di pagare, dopo decisione del Tribunale di Londra del 2018, indennizzazioni per circa 8,3 milioni di dollari per gravi violazioni dei diritti umani ai propri lavoratori, di cui 273 sarebbero morti, compresi 18 da parte della sicurezza privata della società e della polizia mozambicana, sempre molto solerte nell’infliggere pene e torture ai propri cittadini, mentre altri avrebbero perso la vita dopo prolungate torture o arsi vivi. Altri ancora sono stati così brutalmente torturati e violentati che non potranno mai più esercitare una attività professionale simile a quella per cui erano stati contrattati.

Questo è soltanto un esempio di come la gran massa dei lavoratori di Cabo Delgado viene trattata da parte dei capi Makonde. Questi lavoratori appartengono, di solito, a etnie diverse rispetto ai Makonde, in particolare Makhwua (etnia numericamente prevalente a Nampula e Cabo Delgado) e Kimwani, tradizionalmente musulmani. Se, però, i capi Makonde hanno ottenuto lo sfruttamento di ricchezze immense della regione, grazie alle loro connection politiche, molta parte degli altri Makonde sono stati comunque in qualche modo sistemati, soprattutto con impieghi pubblici, borse di studio e pensioni da “antichi combattenti” (il cui ministero è da sempre monopolizzato da questa etnia). Specialmente nelle zone litoranee, i Kimwani sono stati da sempre disprezzati. Lasciati praticamente a se stessi, aderenti a un Islam molto povero e africano, in contrasto con quello del Sud del paese, assai ben integrato col potere politico ed economico locale e di origine asiatica, intorno al 2014-2015 hanno iniziato a radicalizzarsi, dopo avere fatto studi in Egitto, Sudan, Algeria, ed essere tornati in una provincia fra le più povere del paese, nonostante le enormi potenzialità. Solo per fare un esempio, il distretto di Palma detiene, insieme ad altri pochi sparsi per il paese, il non invidiabile primato del più alto indice di analfabetismo a livello nazionale, e le promesse delle grandi ricchezze del gas hanno poi fatto il resto: ancora terre loro sottratte, un lavoro che non c’è (la maggior parte dei nuovi posti nelle nuove piattaforme del gas sono riservati a stranieri o persone con buona formazione provenienti da Maputo), e una povertà sempre più endemica.

Il processo di radicalizzazione dei Kimwani e di una parte dei Makhwua è avvenuto in modo relativamente graduale. Rappresentanti dell’Islam ufficiale avevano più volte segnalato alle autorità di Maputo che qualcosa di strano stava avvenendo, che quei giovani stavano predicando un Islam differente e violento, basato sulla Sharia. Tuttavia, le autorità mozambicane avevano ben altro a cui pensare: proprio verso il 2014-2015, l’eterna guerra contro i nemici di sempre della Renamo (il maggior partito di opposizione, dotato di un proprio esercito, mantenuto anche dopo la firma degli accordi di pace di Roma del 1992) era ripresa, cosicché tutta l’attenzione politica, militare e dell’intelligence era rivolta a sconfiggere questo antico e conosciuto nemico, al fine di annientarlo definitivamente. Del crescente Islam nuovo e intollerante si poteva aspettare un po’ per occuparsene, nonostante paesi vicini come Tanzania, Kenya e Somalia avessero da tempo sperimentato la violenza di quegli attacchi e si fossero organizzati di conseguenza, Somalia compresa, chiedendo aiuto al Kenya.

L’atteggiamento governativo non è molto cambiato dopo che gli attacchi sono cominciati, tutti finiti con vittorie anche simboliche degli estremisti, con l’esercito regolare in fuga o continuamente sorpreso da imboscate, probabilmente determinate da ufficiali doppiogiochisti che vendevano informazioni ai ribelli (vari di loro sono già stati scoperti e condannati, ma molti pare che si esercitino ancora in questa attività). Nel frattempo, l’ecatombe è proseguita, anche se le modalità di temporanea occupazione di villaggi e cittadine di Cabo Delgado al momento sembra un po’ mutata. Caccia ai militari dell’esercito regolare, accompagnati da comizi pubblici per spiegare alle popolazioni locali come e perché aderire al futuro Stato Islamico di Cabo Delgado, issando la relativa bandiera nera. Nell’ultimo attacco fatto a Mocimboa da Prraia, un intero quartiere ha ricevuto con calorosi applausi (secondo un testimone oculare che poi è riuscito a scappare) gli estremisti, i quali, adesso, per una parte sempre più vasta di quelle popolazioni, stanno diventando i “liberatori dei liberatori”, i quali sono da tempo diventati i nuovi oppressori.

Di fronte a questo scenario apocalittico, il governo continua a non informare i cittadini rispetto alla gravità della situazione a Cabo Delgado, esercitandosi nell’arresto, quando va bene senza ulteriori conseguenze fisiche, di giornalisti soprattutto locali (due nell’ultima settimana), strappando loro il materiale raccolto per mandare in onda i servizi, radiofonici e televisivi. In parallelo, gli insuccessi militari, risultato di un esercito allo sbando, non hanno ancora convinto il governo a chiedere aiuto ai partners stranieri, ma a chiamare improbabili società private di mercenari, con risultati modestissimi e non dando alcuna prospettiva di uscita da questo conflitto, che rischia di regalare al Daesh un nuovo territorio su cui stabilirsi.

Forse sono queste preoccupazioni che Papa Francesco voleva esprimere quando ha accennato alla violenza di Cabo Delgado. E, come ha fatto Don Lisboa, non c’è che da ringraziarlo per le parole che ha voluto pronunciare rispetto a una delle tante guerre dimenticate e destinate ad alimentare il dibattito fra i soli addetti ai lavori.

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Ultima modifica il Mercoledì, 15 Aprile 2020 01:07

Il Brasile fra Coronavirus e congiure di palazzo

 
 
Molti dei governanti dei vari paesi interessati al Coronavirus hanno provato – almeno inizialmente - a sposare la tesi negazionista o minimalista. In prevalenza si è trattto di leaders politici di destra, come Trump, Johnson o Bolsonaro, Zaia e Salvini in Italia, ma anche a sinistra o comunque nello schieramento più progressista (o considerato tale) una simile tendenza è stata presente. Macron in Francia, che in piena emergenza ha lasciato che i suoi concittadini si recassero alle urne per scegliere i propri sindaci, larga parte della sinistra italiana, con sindaci come Sala e Gori, o segretari di partito, come Zingaretti, che hanno lanciato o fortemente appoggiato campagne come “Milano non chiude” o “non possiamo fermare l’Italia”, ancor di più il governo retto da una peraltro risicata e composita maggioranza di centro-sinistra in Svezia che ha ostinatamente negato la chiusura delle attività, cercando di trovare una compatibilità fra limitazione della diffusione del virus e continuazione della normalità della vita socio-economica del paese.
Fra i campioni della tesi “negazionista” vi è senza dubbio il brasiliano Bolsonaro. A differenza dei suoi colleghi a cui è maggiormente legato, soprattutto Trump, ma anche l’israeliano Netanyahu o l’indiano Modi, Bolsonaro non sta rivedendo la sua posizione sulla base delle evidenze scientifiche, né delle indicazioni degli esperti locali (e internazionali) di epidemiologia. E neanche in seguito alla “conversione” di politici come Trump e Johnson. In questo, Bolsonaro si sta dimostrando un esempio di coerenza, contro tuttavia le evidenze scientifiche che stanno emergendo anche in Brasile.
A oggi, il Brasile – un paese federale con 26 stati più il distretto federale, dove ha sede la capitale, Brasília, con circa 210 milioni di abitanti, di cui il 56% neri o misti e fra i 15 con maggiore diseguaglianza al mondo – registra quasi 3500 casi di Coronavirus, con 92 decessi e quasi 12.000 sospetti. I casi sono concentrati negli stati più ricchi e “aperti”, quelli del sud, soprattutto São Paulo (circa 1300), Rio de Janeiro (circa 500), il Distretto Federale (230), e Cearà, l’unico del Nord-Est con diversi positivi (circa 300). Gli stati con minori casi (a oggi meno di 10) sono quelli tradizionalmente più isolati, come Rondônia, Tocantins, Amapá e, nel Nord-Est, Paraíba, capitale del forró. Attualmente, l’indice di mortalità è del 2,7%, e la linea del ministero della salute è non divulgare alcuna proiezione per il mese di aprile (secondo quanto riferito da João dos Reis, segretario esecutivo di quel ministero), anche se fonti ufficiali indicano che non esiste alcuna prospettiva di riduzione dei casi nel breve termine. Un dato preoccupante è il registro del primo caso positivo di una persona indigena, della tribù dei Marubo, guida turistica venuto a contatto di recente con un gruppo di americani. Questa tribù vive a più di 1000 Km dalla capitale statale, Manhaus, in una zona dove sono concentrate altre 26 tribù, tutte, probabilmente, con anticorpi insesitenti contro un nemico come il Coronavirus, che avrebbe un effetto probabilmente letale in un simile contesto.
Un report che l’ABIN (il servizio di intelligence brasiliano) avrebbe fatto pervenire al presidente Bolsonaro parla di una previsione di 5571 morti, a cui però il presidente in carica ha dichiarato non voler credere. 
Proprio questo è il pomo della discordia in termini politici: Bolsonaro si sente circondato non soltanto dai suoi nemici politici tradizionali (PT, il partito di Lula, e le formazioni alleate, con un grande consenso soprattutto nel Nord-Est del paese, la parte più povera), ma ancor di piu da quelli interni, che lo hanno appoggiato nel corso della campagna elettorale, ma che adesso stanno avendo più di un ripensamento, accelerato da quello che è considerato come un atteggiamento di irresponsabilità verso il Coronavirus. È da qui che potrebbe partire l’offensiva per una sua destituzione dall’incarico di presidente della repubblica in questo mandato o, in alternativa, il mancato appoggio per le prossime elezioni, nel 2022. O farlo restare in carica, in cambio di una limitazione effettiva dei suoi poteri. Il sistema elettorale favorisce tali schemi, in Brasile, un po’ come è avvenuto nel caso di Dilma Rousseff nel precedente mandato, sostituita dal suo vice-presidente, Temer, dopo una congiura di palazzo. Il vice-presidente, infatti, è eletto insieme al presidente e non può essere dimesso, formando una coppia in cui, al decadere del presidente, non vi sono nuove elezioni, ma la sostituzione di questi col suo vice. In questo momento, fonti locali danno un quadro della situazione politica brasiliana in movimento, anche se ancora non si intravede un processo di impeachment contro Bolsonaro nell’immediato. In ogni caso, il suo vice, il generale Hamilton Mourão, sta diventando il punto di riferimento della classe militare, che ha dato un appoggio decisivo all’elezione di Bolsonaro nel 2018, e che al momento vede la sfida contro il Coronavirus come la battaglia principale per l’esercito e le forze dell’ordine, in disaccordo col discorso negazionista del presidente. Mourão avrebbe anche l’appoggio della massoneria e di diversi settori imprenditoriali, visto che è stato l’uomo che – ancora una volta in disaccordo con Bolsonaro, visceralmente anti-comunista – ha fortificato i rapporti con la Cina, a oggi il primo partner commerciale del Brasile, sia come volume di esportazioni che di importazioni.
Sul Coronavirus si gioca, quindi, gran parte del futuro politico del Brasile. Bolsonaro non intende chiudere il paese, probabilmente preoccupato che eventuali “rivolte del pane” (non infrequenti in Brasile) servano da detonatore per defenestrarlo. L’ossessione per il mantenimento dell’ordine sociale è una antica preoccupazione delle destre, come magistralmente illustra il sociologo Luhmann in un suo vecchio libro degli anni Ottanta, cosi come le pressioni dei grandi fazendeiros rappresentano una spinta affinche' Bolsonaro non decreti la chiusura del Brasile, ignorando, per il momento, prezzi speculativi soprattutto dei prodotti ortofrutticoli di provenienza interna, che stanno facendo rimpinguare le casse dei grandi agricoltori locali. Così, continuando a minimizzare il Coronavirus e i suoi effetti, derubricandolo a poco più di una influenza, ha implementato misure per circa 40 miliardi di reais (1 real = 0,17 euro), destinate essenzialmente alle piccole e medie imprese, per garantire i salari dei lavoratori nel corso dei prossimi due mesi, in base alla parola d’ordine “il Brasile non può fermarsi”. Aveva anche approvato la Misura Provvisoria (MP) 927, che prevedeva (art. 18) la sospensione dei contratti di lavoro fino a 4 mesi senza la riscossione del salario, poi ritirata il giorno successivo, dopo un’ondata unanime di critiche. 
Nonostante il negazionismo presidenziale, quasi tutti gli stati dell’Unione hanno assunto misure restrittive, basate sull’isolamento sociale  la quarantena, particolarmente difficile in un paese basato su favelas e lavoro informale, ma che, probabilmente, avranno il merito per lo meno di arginare l’infezione nell’immenso paese verde-oro. São Paulo è stato il primo e il più rigido. Come afferma il professore di Fisica dell’USP (Università di São Paulo, la maggiore del Brasile), José Chubachi, nonostante i numerosi casi di infezione, lo stato di S. Paulo dimostra una curva migliore rispetto al resto del Brasile in termini di contagi, a causa delle misure adottate per evitare i contatti fra le persone. Quasi tutti gli altri stati hanno adottato misure analoghe. I governatori degli stati del Nord-Est hanno anche scritto una lettera aperta a Bolsonaro, il 25 marzo scorso, dichiarandosi “frustrati” rispetto alle decisioni della presidenza della repubblica, sulla base di una analoga presa di posizionee del giorno precedente da parte della Società Basiliana di Infettivologia. Il governatore dello stato di Goiás, Ronaldo Caiado, ha tolto il suo appoggio a Bolsonaro, che aveva fortemente sostenuto in campagna elettorale, mentre soltanto tre stati, Rondônia, Mato Grosso e Santa Catarina, su pressioni di Bolsonaro, hanno riaperto alcune delle attività commerciali nei giorni scorsi.
La linea negazionista di Bolsonaro, oltre a confliggere con governatori, sindaci e comunità scientifica, sta portando anche a scontri istituzionali col potere giudiziario. Per esempio, il 27 marzo scorso la Justiça Federal (il tribunale supremo) ha proibito a Bolsonaro di emanare decreti contro l’isolamento sociale, sospendendone due, in cui si contemplavano, fra i servizi essenziali, i culti religiosi e le agenzie per il gioco delle lotterie (che in Brasile servono anche per effettuare pagamenti di bollettini postali e simili). È interessante notare che il mantenimento dell’apertura delle chiese e dei rispettivi culti è una “cambiale” pagata da Bolsonaro alle varie chiese evangeliche che lo hanno sostenuto in campagna elettorale, mentre la chiesa cattolica, a tutti i livelli, ha da tempo fatto sapere ai fedeli di pregare nelle proprie abitazioni, evitando così la diffusione del contagio attraverso i riti religiosi. L’entourage di Bolsonaro ha già annunciato che farà ricorso contro tali decisioni, anche se le basi giuridiche sembrerebbero confermare la sentenza del Supremo, visto che, in Brasile, i servizi essenziali sono da tempo definiti per legge (la nr. 7.783/1989) e non possono essere quindi modificati per decreto.
Il quadro del paese è, pertanto, assai complicato, con un livello di infezione che, dopo un mese dal registro del primo caso, è grosso modo al livello che Cina e Italia avevano dopo 30 giorni, un presidente “circondato” e soprattutto misure restrittive in quasi tutti gli stati dell’Unione, che stanno mettendo in ginocchio la fascia medio-bassa della popolazione, un sistema pubblico di assistenza sanitaria ormai largamente smantellato negli ultimi anni, e la previsione di disordini sociali a breve termine, i cui effetti saranno imprevedibili, nello scenario politico brasiliano. 
 
 
 
 
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Ultima modifica il Sabato, 28 Marzo 2020 22:05

La "terza ondata" di Coronavirus sarà diretta verso l'Africa?

Dopo la prima ondata di Coronavirus in Cina, la seconda in Europa e Stati Uniti, l’Oganizzazione Mondiale della Sanità teme che una terza ondata potrà abbattersi sul continente africano, con effetti devastanti, in considerazione delle condizioni in cui versa il sistema sanitario di quasi tutti i paesi di quel continente.
Vediamo però prima qual é la situazione attuale, quale il grado di attendibilità dei dati odierni, come questi devon essere questionati, e come i vari paesi si stanno posizionando, da un punto di vista strategico, di fronte al Coronavirus.
Al momento, i casi registrati di Coronavirus in Africa sono circa di 1500, con meno di 50 decessi. Vi sono tre poli fondamentali su cui l’infezione si sta concentrando: Egitto (al primo posto con 327 casi) e paesi del Maghreb; Senegal, nella parte occidentale del continente, e Africa del Sud (al secondo posto con 274 positivi). Su 54 paesi, in 43 hanno fatto registrare almeno un caso di Coronavirus.
Nonostante una crescita costante ma certamente non esponenziale (per il momento), la percentuale di decessi resta bassa, in confronto a quella cinese e soprattutto italiana, in ragione dell’età media molto più bassa della popolazione africana. Su circa 1,3 miliardi di abitanti, infatti, soltanto il 5% della popolazione è over 65. Questa caratteristica rappresenterà il punto di forza africano per affrontare il Coronavirus, visto che – soprattutto nella parte sub-sahariana del continte – le condizioni del sistema sanitario e di quello igienico sono molto critiche o, in alcuni casi, inesistenti.
Perché i dati africani potrebbero essere notevolmente sottostimati? Per motivi che possono essere suddivisi fra generali, clinici, demografici e politici.
Generali: il riferimento, qui, è ai positivi asintomatici, un fenomeno che sta attraversando tutta la storia del Coronavirus a livello planetario, e che in Africa potrebbe costituire un segmento ancora maggiore degli infetti, in considerazione della popolazione più giovane, e quindi in teoria più resistente, al virus. A ciò deve associarsi la mancanza di conoscenza del Coronavirus soprattutto nelle aree rurali e periferiche del continente, in cui positivi e sintomatici potrebbero scambiare il Coronavirus per un raffreddore o una influenza un po’ più seria del solito, senza pertanto andare a fare il test.
E si entra, qui, negli aspetti maggiormente clinici o propriamente sanitari. Ammesso che qualcuno si voglia fare il test, la strada sarà assai più complessarispetto a quanto sta accadendo oggi in Europa. Il Kit a disposizione dei paesi africani per fare il test è molto limitato, e la maggior parte degli ospedali non ne avrà neanche uno. Vi è quindi una impossibilità di fatto nel fare il test, da parte della maggioranza della popolazione, fatto che sta rappresentando un freno oggettivo al registro dei positivi.
Il dato demografico che sembra concorrere a una sottostima dei dati odierni ha a che fare coi processi migratori transfontalieri. Prendiamo l’esempio dei tre paesi sopracitati, ee che costituiscono al contempo potenze regionali e i principali focolai di infezione nel continente. Il Senegal confina con vari paesi, fra cui Gambia e Guinea-Bissau, che quotidianamente auto private, camioncini di fortuna, pulmann e altri mezzi attraversano, in un senso e nell’altro, per motivi di piccolo commercio informale. Sembra assai difficile che, anche in ragione delle condizioni deprecabili di igiene, la Guinea-Bissau non abbia, a oggi, alcun registro di Coronavirus, e il Gambia soltanto uno. Lo stesso esempio vale per l’Africa del Sud: il Mozambico, che ha una lunga frontiera con questo paese, ha registrato appena 3 casi di Coronavirus, fra l’altro tutti derivanti da viaggi di mozambicani in Europa. Anche in questo caso, il commercio informale quotidianamente movimenta migliaia di persone fra i due paesi, e appare assai difficile che non vi sia stato, a oggi, nessun contagio di Coronavirus sulla linea di questo confine. Infine, i paesi a sud dell’Egitto si trovano in situazione di quasi-assenza di Coronavirus: Sudan, Eritrea e gli altri che si trovano ancora più a sud, in primo luogo l’Etiopia (con 102 milioni di abitanti) fanno registrare numeri quasi insignificanti di infettati. Situazioni poco probabili, e che probabilmente nascondono numeri ben differenti rispetto a quelli ufficiali.
Infine, fattori di natura politica influenzano, al momento, i numeri ufficiali di infezioni, per difetto. In primo luogo, molti paesi africani sono scarsamentee democratici, e la loro comunicazione istituzionale è a dir poco prudente. L’Egitto, per esempio, ha già ricevuto varie accuse di non fornire i numeri corretti dell’infezione, nonostante sia il paese col maggior numero di infettati. L’occultamento della verità constituisce quindi una modalità normale per molti governi africani, fatto che rende poco credibili i dati divulgati. Inoltre, in molti paesi africani vige una sorta di immunità per le proprie classi politiche e per i sempre numerosi rappresentanti della diplomazia, bilaterale e multilaterale, non in merito al virus Covid-19, ma al suo testaggio. Nessuno, infatti, oserebbe obbligare un presidente o un ministro africano a sottoporsi al test, e ciò può provocare molti contagi, anche fra le classi alte del continente. È quanto sta avvenendo in Mozambico: Eneas Comiche, sindaco della capitale Maputo, la settimana scorsa ha partecipato a un incontro a Londra con Alberto di Monaco, poi risultato positivo. Comiche è un individuo di circa ottanta anni, che – di ritorno da Londra – ha partecipato ad altri incontri pubblici e privati (fra cui una riunione del Comitato Politico del suo partito, la Frelimo), prima di mettersi in quarantena domiciliare. Con comunicato ufficiale, il Municipio di Maputo ha smentito la sua positività, ma due giorni dopo si è avuto notizia ufficiale che sua moglie è stata trovata positiva...Insomma, un condensato di sottovalutazione del rischio, secretismo istituzionale e confusione nella comunicazione, che sta rendendo il caso un vero “giallo”.
Di fronte a questa situazione in divenire, quasi tutti i paesi africani hanno assunto misure, sullo stile di quelle sino-europee: sospensione delle lezioni presso scuole e università, frontiere chiuse, ritiro dei visti di viaggio, in qualche caso rinvio delle elezioni, divieto di assembramenti, molta insistenza sull’igiene, specialmente delle mani...E tuttavia tali misure sembrano del tutto inappropriate per la realtà africana (come, del resto, per quella latino-americana), per un semplice motivo: paesi in cui la parte “informale”, anche in termini di abitazioni (leggi favele) è largamente prevalente, non hanno alcuna possibilità di contenere il virus con misure “alla occidentale”. Piuttosto, in Africa avrebbe dovuto esserci una valutazione del rischio calibrato sugli elementi tipici del continente (e di ogni suo paese): chiudere immdiatamente gli aeroporti, visti i rapporti molto intensi fra paesi africani e Cina e Europa, da cui il virus sta venendo importato; vietare quindi al personale governativo e diplomatico i frequenti viaggi, spesso molto poco utili, da e verso l’Africa; e chiudere le frontiere terrestri, o comunque limitare la possibilità di usarle per motivi strettamente necessari. Insomma, una logica da “fortezza”, in modo da non fare entrare il virus e, in casi sospetti, test e quarantena. 
Quali prospettive? In termini di dati, potrebbe forse esserci una svolta, motivata dal fatto che il Fondo Monetario Internazionale ha da poco messo a disposizione 50 miliardi di dollari affinché i paesi emergenti e in via di sviluppo possano affrontare il Coronavirus. Tuttavia, per avere accesso a questa torta, anche i paesi africani dovranno dimostrarsi “vurtuosi” e quindi registrare correttamente i propri casi. Un incentivo, forse, a svolgere un lavoro più serio, superando il secretismo che ne sta caratterizzando, al momento, l’approccio. In termini di diffusione del virus, invece, questo è già entrato. Viste le condizioni in cui versa la sanità pubblica africana, la speranza più concreta è che il virus perda aggressività, magari per il caldo (anche se l’emisfero sud sta entrando proprio adesso nell’inverno, fatto che potrebbe favorirne la diffusione), o che trovi maggiore resistenza a causa della giovane età media della popolazione. O che gli antenati a cui gli africani sono soliti rivolgersi abbiano un occhio di riguardo per i loro giovani discendenti.
 
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Ultima modifica il Martedì, 24 Marzo 2020 21:40

La nuova destra e la lotta per l’egemonia

Il dibattito politico italiano si sta concentrando, in questi ultimi mesi, sul fenomeno-Lega. Fra chi ne è preoccupato, soprattutto da sinistra, e chi ne auspica una ulteriore crescita, da destra, il comune sentire è di una forza non tradizionale (per vari motivi, che non interesse qui specificare, tanto ovvi essi sono) che sta sbaragliando il campo dagli avversari tradizionali, candidandosi molto seriamente al governo del paese.

Tuttavia, il fenomeno-Lega, come quasi sempre accade in politica, è figlio di un sostrato culturale su cui i partiti costruiscono le loro fortune (e disavventure) elettorali. L’Italia ha rappresentato una eccezione per molti decenni: un po’ a spanne, è infatti possibile affermare che, dal dopoguerra sino alla fine degli anni Ottanta, e ancora di più fino al movimento del 1968, la sinistra tradizionale, di ispirazione marxista aveva l’egemonia di larga parte del dibattito culturale e politico, incastonato fra principi di giustizia sociale e costituzionali, la cui più efficace espressione è stata la “democrazia progressiva” di togliattiana memoria. Ma si trattava di una situazione atipica, motivata essenzialmente da fattori internazionali, che rendevano impossibile un governo dei partiti di sinistra (di quello comunista in particolare) in un paese occidentale e di frontiera come l’Italia. Di solito, infatti, chi ha l’egemonia culturale e etica governa, oggi più di ieri.

Con la caduta del muro di Berlino, la sinistra ha provato a trasformarsi, abbandonando la sua vocazione marxista (salvo poche eccezioni, di partiti comunisti prima ancora piuttosto forti, come Rifondazione Comunista, poi utili esclusivamente a svolgere una funzione di testimonianza), ma perdendo rapidamente la sua egemonia. Difficile spiegarne il motivo: genericamente, esso va ricercato nell’assenza di una prospettiva di lungo termine, che aveva caratterizzato i partiti marxisti del dopoguerra. La questione sociale è praticamente sparita dai radar dei nuovi partiti di sinistra, così come quella del rispetto e della valorizzazione delle diversità e del passato su cui la Costituzione si era basata, ossia l’antifascismo, l’antirazzismo e l’antisemitismo. Il modello neoliberale all’italiana è emerso con tutta la sua forza, prima col ventennio berlusconiano, poi con la variante dell’ideologia leghista. Un tale modello ha fatto della povertà una colpa, del pubblico e dei suoi servizi un ostacolo alla speculazione su salute ed educazione, che in Europa ha trovato alcuni argini a differenza che in altri continenti, dove l’assistenza sanitaria è divenuta un privilegio, lasciando ai poveri delle favelas o del Bronks i pochi presidi pubblici che letteralmente cadono a pezzi e le cui file di attesa sono eterne. Modelli che sembravano esempi, per la sinistra democratica internazionale, come Lula da Silva in Brasile, sono precipitati in schemi di corruzione in grande scala, che ne hanno minato la credibilità che si erano guadagnati in decenni di battaglie in favore dei più diseredati.

L’egemonia, quindi, è passata rapidamente dalla sinistra internazionale alla destra, che ha trovato risposte (apparentemente) convincenti alle grandi sfide mondiali. In primo luogo alla globalizzazione dei mercati, che ha ucciso i piccoli presidi socio-economici locali, con conseguenze come la perdita di posti di lavoro, la chiusura di esercizi commerciali e artigianali storici, la crescente insicurezza (reale o percepita) rispetto a processi migratori che hanno sembrato sconvolgere le presunte certezze identitarie dei vari popoli occidentali, soprattutto europei. Tuttavia, siccome la storia non si ripete ma va avanti, la nuova destra che, anche in Italia, si è a poco a poco ripresa l’egemonia sul piano dei valori e della cultura non si è limitata a riprendere le lezioni della destra classica, anche quella più dura e recente (Reagan, Margareth Tatcher, ecc.), di matrice liberista, ma ha proposto una nuova visione della storia, della convivenza umana e delle società locali.

È qui che è avvenuta la rottura ideologica più netta fra le due destre. Un grande pensatore dei nostri tempi, Immanuel Wallerstein, ha addirittura postulato che la modernità sia stata caratterizzata da forme diversificate di liberalismo: quello “puro”, quello liberale (destra) e quello socialista (sinistra). Una diversificazione che, però, aveva un saldo tronco comune: il liberalismo, appunto.

La nuova destra, invece, non è liberista né liberale: essa è (almeno in linea di principio) protezionista, come Trump insegna, e chiusa verso le diversità (fino al razzismo aperto di Le Penne, Casa Pound e altri movimenti neo-nazisti europei), trovando nel nazionalismo l'idea centrale (nonostante la Lega italiana fosse, fino a pochi anni fa, federalista e secessionista). I poveri, insomma, andrebbero “aiutati a casa loro”. Una formula, questa, priva di qualsiasi senso, in considerazione di due fattori: il primo, che tali “aiuti” continuano ad arrivare, nella maggior parte dei casi, a governi (soprattutto in Africa) altamente corrotti, rispetto a cui i “donatori” internazionali sono conniventi. Insieme, questi due soggetti hanno costruito una nuova industria, l”industria dello sviluppo”, che alimenta (lautamente) elite politica locale e cooperanti internazionli, con benefici prossimi allo zero rispetto alle popolazioni oggetto (molto teorico) dell’aiuto. In secondo luogo, le grandi potenze ex-coloniali, da sempre molto presenti in Africa (Regno Unito e Francia, in primis) sono solite usare i meccanismi di cooperazione internazionale come apripista rispetto ai business delle “loro” imprese, in funzione meramente strumentale. Adesso anche le nuove potenze mondiali, quali Russia, Cina, India, Brasile, Turchia si sono associate a tale schema, concorrendo per lo sfruttamento delle risorse naturali di cui il continente africano è pieno, dal legno ai rubini, dal petrolio al gas, per finire con le risorse ittiche. La traduzione pratica dell’”aiutarli a casa loro” si riduce spesso a programmi di impoverimento messi in pratica con assoluta scientificità. In Mozambico, per esempio, il programma Pro-Savana aveva previsto un intervento su 11 milioni di ettari (praticamente tutto il Nord del paese), di fatto espropriando i piccoli agricoltori privati o comunitari, facendoli diventare salariati di grandi imprese giapponesi e brasiliane (i due paesi che avevano finanziato il progetto), togliendo quindi loro l’autosufficienza alimentare che da sempre avevano avuto, e introducendo coltivazioni su grande scala di riso, soia e altre commodities, da destinare all’esportazione verso il mercato soprattutto asiatico (Giappone in particolare, in crisi alimentare dal 2010-2011).

La nuova destra, quindi, usa la formula magica dell’aiuto in loco, scimmiottata da buona parte della sinistra, continuando ad alimentare interventi di progressivo impoverimento del suolo africano da parte delle imprese occidentali, guardandosi bene dal questionare rispetto alla legittimità dei governi africani in carica, di solito eletti mediante processi elettorali frutto di giganteschi brogli, anzi accogliendone i rispettivi partiti nell’Internazionale socialista, in quelle popolare o liberale o così via. Al contempo, questa destra cerca di bloccare i flussi migratori di chi si ribella, fuggendo, da un lato ai regimi totalitari di cui si è riferito sopra, dall’altro all’impoverimento progressivo di un ambiente (terrestre, marino e fluviale), incapace di produrre cibo sufficiente per le comunità locali. Inutile poi parlare di scenari in cui la guerra la fa da padrone, come la Siria o molti paesi africani. Una logica sicuritaria emulata anche dalla sinistra di governo, senza condirla con altre misure strutturali per l'inclusione efficaci e indispensabili.

In Italia, una simile ideologia niente affatto liberale sta penetrando nelle coscienze della maggioranza delle persone. L’indagine Eurispes 2020, infatti, ha messo in evidenza come la risposta a processi mondiali che ormai sfuggono al controllo delle dimensioni locali è in prevalenza di destra: se nel 2000, Klein aveva scritto il nuovo manifesto dei movimenti sociali di sinistra, No Logo, appellando a una riflessione sulle grandi ingiustizie sociali globali, senza distinzione di confini nazionali, colore, sesso o religione, oggi chi si pone come anti-globalista e contraria al dominio dei mercati finanziari è proprio la nuova destra.

Alcuni dati sono sintomatici. Più del 15% degli italiani non crede alla Shoah (in un recente passato tale dato non superava il 3%, e i suoi sostenitori erano ritenuti poveri nostalgici e presi anche un po’ alla leggera), mentre circa il 60% degli italiani ritiene che l’antisemitismo attule sia soltanto il frutto di casi isolati, da non prendere troppo sul serio. Un revisionismo storico che non tocca soltanto la questione ebraica, ma anche, come prevedibile, il fascismo e Mussolini. Se, fino a pochi anni fa, l’egemonia della sinistra e dei principi costituzionali avevano messo argini sicuri a tali opinioni, oggi quasi il 20% ritiene Mussolini un grande leader, inneggiando alla personalità “forte” che potrebbe risolvere i problemi nazionali da solo, alla maniera di un capo carismatico. Logico, quindi, che siano in drastica diminuzione quelli che pensano che un individuo nato, cresciuto e scolarizzato in Italia da genitori stranieri abbia il diritto a ottenere la cittadinanza italiana, facendo dell’integrazione e del rispetto delle diversità un nemico dacombattere, più che un fenomeno complesso da affrontare con le armi dell’inclusione.

Questi pochi dati mostrano una realtà che la sinistra o anche semplicemente qualsiasi democratico dovrebbe seriamente considerare: senza la ripresa non tanto di un partito (comunque indispensabile) con posizioni chiare sui temi citati e su molti altri, ma di un processo di costruzione di una cultura e di una etica diversa rispetto a quella espressa dalla nuova destra, e senza la dimostrazione che tale “alternativa” è più utile anche ai cittadini italiani in confronto alle chiusure anacronistiche e foriere di esclusione e odio che la destra propone, l’egemonia elettorale, oltre che culturale, continuerà a essere appannaggio della destra, con buona pace dei politici di sinistra, protesi a combattersi l’un l’altro pur di coltivare un sempre più modesto orticello.

Riprendere un ragionamento strategico sulle ingiustizie mondiali e le sue ricadute sul piano europeo e nazionale, sulla dilapidazione del patrimonio ambientale a partire dall’Africa e dall’America Latina (leggi Amazzonia), sul fenomeno migratorio come conseguenza di scelte fatte in larga parte dall’Occidente, di cui oggi paghiamo il conto e da affrontare non soltanto con una logica di sicurezza, quindi a valle, ma anche e soprttutto a monte, è il minimo che la sinistra possa fare per ricostruire un tessuto connettivo e sociale tale da rendere possibile, se non piacevole, la convivenza fra diversi, a cui nessuno, oggi, può sottrarsi.

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Ultima modifica il Venerdì, 31 Gennaio 2020 01:55
La nuova frontiera della lotta di classe in Africa: i conflitti di terra in Mozambico

La nuova frontiera della lotta di classe in Africa: i conflitti di terra in Mozambico

 

Esiste un fenomeno globale che, dal 2007-2008, sta caratterizzando le nuove relazioni fra alcuni paesi centrali o emergenti – essenzialmente asiatici: Giappone, Cina e India - e una buona parte di quelli periferici, soprattutto africani. Tale fenomeno è l’aumento dei prezzi dei generi alimentari, che nel solo periodo 2006-2008 ha visto un incremento complessivo dell’83%, le cui ragioni sono ancora tutte da chiarire, ma che possono essere identificate in due grandi motivi: finanziari e legati all’economia reale. Nel primo caso, si è assistito a una speculazione, determinata dalla struttura monopolista o oligopolista dei mercati soprattutto cerealicoli, in cui queste multinazionali (a differenza dei produttori locali) hanno incrementato in modo esponenziale i loro profitti, in ragione dell’aumento del fabbisogno (peraltro puntualmente soddisfatto); profitti poi ulteriormente ampliatisi grazie al fatto che le commodities sono diventate un bene-rifugio sicuro dinanzi alla crisi dei subprime iniziata negli USA e poi diffusasi in tutto il mondo, Europa compresa. Nel caso dell’economia reale, due fattori possono avere contribuito all’aumento dei prezzi dei cereali: una crisi alimentare, che sarebbe meglio definire come maggiore necessità di alimenti, senza passare necessariamente per una scarsità di materia prima; e le politiche dell’Unione Europea, che nel 2009 si diressero verso coltivazioni di biocombustibili nei paesi periferici, al fine di garantire la percentuale (20%) di energia rinnovabile da essere usata per il settore dei trasporti entro il 2020.

Da queste circostanze – il cui epifenómeno è stato, appunto, l’aumento dei prezzi dei generi alimentari sui mercati mondiali – si è sviluppata una vera e propria corsa verso la terra, concentrata in alcuni paesi africani, in precedenza largamente al di fuori di tali dispute. La terra ha così riacquistato il suo antico valore, costituendo un bene-rifugio di lungo termine sia per le imprese multinazionali di maggiore entità così come per numerosi investitori istituzionali.

Tuttavia, al fine di portare a buon termine queste politiche di occupazione della terra e di trasformazione della stessa in monocultore destinate all’esportazione, soprattutto verso i mercati asiatici in espansione, c’era bisogno di conquistare l’accesso a questo prezioso bene. In un paese come il Mozambico, dove la terra è ancora di proprietà pubblica e dove lo Stato la concede in usufrutto, l’operazione doveva passare per forza da una strategia di alleanza col governo. E così è stato: il governo mozambicano ha spalancato le porte sia ai grandi (in potenza) progetti di biocombustibile, poi tutti abortiti a causa della retromarcia dell’Unione Europea su questo tipo di politiche, sia all’utilizzazione della terra da parte di grandi investitori stranieri.

Dati statistici dicono che il Mozambico è diventato il quinto paese al mondo in termini di concessione di terra in favore di investitori stranieri, con 99 progetti conclusi su un totale di 2,2 milioni de ettari, ¾ dei quali destinati alla silvicoltura.

Fra i progetti di investimento più significativi che il Mozambico sta affrontando in questo momento, il più importante è senza dubbio il “Pro Savana”. Risultato di una cooperazione triangolare Brasile-Giappone-Mozambico e figlio di un precedente programma implementato dalla cooperazione giapponese (JICA) nel sertão brasiliano sin dagli anni Settanta (denominato PRODECER), il Pro Savana – lanciato nel 2011 - prevede l’acquisizione, di fatto, da parte del programma (cioè del governo giapponese, finanziatore dell’operazione), di più di 10 milioni di ettari nel Nord del Mozambico, coinvolgendo circa 3 milioni di persone, in larga parte piccoli produttori locali, tre regioni (Nampula, Niassa, Zambezia) e 19 distretti.

Il Piano Direttivo (lo strumento operativo del Pro Savana) mira a incentivare i produttori locali, comprese le comunità che da secoli svolgono su quei terreni le loro attività agricole, a dismettere le coltivazioni tradizionali indispensabili per il proprio fabbisogno e per quello dei piccoli mercati vicini, per diventare salariati del programma, coltivando culture di esportazione, come la soia. Programmi simili nel Sud del paese stanno facendo la stessa cosa, ad esempio con la canna da zucchero.

Di fronte a questi fatti nuovi, alcune delle comunità contadine direttamente interessate a quest’opera di usurpazione delle terre hanno iniziato a organizzarsi, aiutate da una serie di associazioni nazionali, fondando il fronte del “No al Pro Savana”: si tratta di un fronte a cui partecipano organizzazioni come Justiça Ambiental, UNAC (Unione Nazionale dei Contadini), il Forum delle Donne Rurali, ADECRU (Azione Accademica per lo Sviluppo delle Comunità Rurali), coordinata da Jeremias Vunjane, che stanno riuscendo a bloccare o a ritardare il processo del Pro Savana. Un fronte che, col passare del tempo, si è fatto sempre più consapevole delle mete immediate (lo stop al Pro Savana), così come dell’ideologia di riferimento, basata su una resistenza al capitalismo monopolistico affamato di terre e di profitti e sulla costituzione di reti a livello nazionale e internazionale. ADECRU, per esempio, si è ormai affermata – nonostante le sue dimensioni ancora relativamente piccole – come l’organizzazione di riferimento per i movimenti rurali di resistenza in Mozambico, sollecitata da comunità contadine di tutte le province per formazioni, scambi di esperienze, suggerimenti su come non cedere alle pressioni governative e degli investitori esterni in merito al possesso (o all’usufrutto) della terra. Grazie a organizzazioni come queste, anche le comunità mozambicane si sono potute associare a reti come quelle della Via Campesina o ad altre ancora più specifiche, come l’alleanza dei popoli del Brasile, Mozambico e Giappone, per fare fronte comune contro i rispettivi governi al fine di fermare il programma Pro Savana.

Proprio di recente, una delegazione di contadini mozambicani e due rapprersentanti di ADECRU hanno partecipato, in Giappone, a un meeting di membri della società civile dei tre paesi, che ha portato a una dichiarazione (detta “Dichiarazione di Tokyo”), in cui si appella il governo giapponese a fermare il suddetto programma, ricordando anche che Tokyo si è astenuto, in sede di Assemblea delle Nazioni Unite, sulla Dichiarazione sui Diritti di Contadini e Contadine e Altre Persone che Lavorano nelle Aree Rurali.

Se qualcuno, insomma, riteneva che la lotta di classe – al di là di qualsiasi ideologismo - fosse oggi finita, quanto sta avvenendo in gran parte delle campagne africane dovrà farlo ricredere. Processi come quelli rapidamente descritti del Pro Savana hanno ormai chiarito a sufficienza quanto duro sia l’impegno di contadini, comunità rurali e attivisti, nella difesa dell’unico bene di cui dispongono, la terra, minacciato sia dai governi locali che dagli investitori esterni.

Tornare forse a pensare alle ingiustizie sociali in modo più globale potrebbe aiutare tutto il movimento della sinistra europea, o quel che di esso resta, a rimodulare il suo discorso politico verso fenomeni in larga parte dimenticati, ma che rappresentano (o dovrebbero rappresentare) il cuore dello scontro di classe oggi nel mondo e, quindi, l’interesse prioritario per le forze progressiste preoccupate di costruire relazioni più eque fra gli abitanti del paese. 

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Ultima modifica il Sabato, 01 Dicembre 2018 17:12

La questione elettorale: alla base dell’insuccesso delle democrazie africane

Esiste una battuta di spirito, nelle reti sociali di vari paesi africani, che sta circolando in questi ultimi giorni, e che riassume l’essenza dei problemi che molte democrazie africane stanno affrontando in questi anni: “Tre individui parlano su quali delle loro nazioni è più rapida nell’annunciare i risultati elettorali. Il francese dice: - Noi in Francia votiamo al mattino e la sera già conosciamo il risultato. L’americano: - Noi votiamo al mattino e a mezzogiorno già sappiamo i risultati. L’africano, sorridendo, afferma orgogliosamente. – Sinceramente, le vostre nazioni sono lente. Noi già prima di votare sappiamo chi ha vinto”.

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Ultima modifica il Sabato, 02 Settembre 2017 18:22

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